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Nem todos os relógios têm a mesmas alternâncias (ou freqüências). Existem algumas, entretanto, mais ou menos comuns em muitos movimentos, como são as de 18.000 A/h (alternâncias por hora), o mesmo que 2,5 Hz ("Hertz"), utilizadas basicamente em relógios mais antigos.
Logo após esses, vêm os relógios com alternâncias de 21.600 A/h (3 Hz) ,que são posteriores aos relógios ditos "vintage" (ou antigos). Não obstante do acima exposto, a freqüência de oscilação mais comum hoje em dia de 4Hz, que é o mesmo que 28.800 A/m.
Por último temos os relógios com alternâncias de 36.000 (A/h), considerados os "high speed" (alta velocidade), pois que na atualidade, salvo no calibre El Primero da Zenith, não é habitual encontrá-la. Todavia, se podemos observa-la em relógios antigos de muitas marcas que nos anos 60 estavam ativas, é de se considerar uma proeza se lograr tais velocidades nesses nossos antigos companheiros.
As alternâncias são as semi-oscilações que produz o balanço, ou melhor, as vezes em que se move a âncora em um ou outro sentido. Esclarecendo, em um relógio com uma freqüência de 4Hz (28.800 a/h), o ponteiro de segundos se move a pequenos "saltos" de 1/8 segundos, enquanto que num relógio de 36.000 A/s esse movimento se dá a cada 1/10 de segundos, o qual no caso de um cronógrafo com o calibre " El Primero" lhe enseja uma faculdade excelente para medir tempos extremamente curtos com muita exatidão.
A relação entre as alternâncias e a precisão de um relógio é proporcional. Quanto maiores as frequências, mais preciso será o relógio. Partindo-se daí, poderia se pensar que para obter-se um relógio mais exato deveria simplesmente se aumentar suas alternâncias. Com efeito, nessa busca de uma maior precisão essas freqüências já passaram de 2,5 Hz para 5 Hz (ou seja, o dobro), e pode-se imaginar que no futuro esses valores poderão vir a alcançar facilmente. 6, 8, 10 Hz ou mais.
Todavia as alternâncias têm uma limitação, ou melhor, duas limitações: o desgaste das peças submetidas a tal freqüência e a dificuldade de lubrificação das partes submetidas a tal velocidade. Consequentemente temos que salientar que se estas peças têm velocidade alta seu desgaste será maior do que se fossem submetidas a movimentos mais lentos.
Então, na busca do relógio perfeito, há que se chegar a um equilíbrio entre maximizar a freqüência, mas mantendo-se dentro dos limites de velocidade mecânicos aceitáveis para as peças e propriedades dos lubrificantes existentes hoje em dia. Do ponto de vista mecânico, têm uma maior duração e confiabilidade as peças que trabalham mais lentas, comparativamente às que trabalham mais rápidas.
Como já salientado, a freqüência mais utilizada nos modelos atuais de relógios é de 28.800 A/h, o que nos leva a depreender que este é o "ponto de equilíbrio" em que chegou a indústria relojoeira com o conhecimento e métodos de fabricação usados nesse momento atual.
A explicação de uma maior freqüência representar maior precisão nos relógios é simples. Se um relógio bate a 36.000 alternâncias por hora, e supondo-se que essas alternâncias se "equivoquem" 10 vezes (golpe, posição do relógio, movimento brusco, etc.), ensejarão um erro de apenas 1 segundo em sua precisão. Na mesma situação, se um relógio de 18.000 A/h, se equivoca também essas mesmas 10 vezes, acarretará um erro de registro de 2 segundos, ou seja, o dobro do relógio com a alternância maior.
Destarte, é de se perguntar porque algumas marcas da alta relojoaria estão ainda utilizando-se de calibres mais lentos ?
Na realidade, é porque conseguiram-se freqüências mais estáveis com a qualidade dos materiais empregados na fabricação dos diversos componentes do órgão regulador, pelo que se melhoram esse "ratio" de "equívocos" logrando prestações inalteradas a relógios mais rápidos. E neles também redunda a garantia de uma maior duração das peças e menor complicação na lubrificação do relógio.
Não é necessário acrescentar que a lubrificação das peças de "alta velocidade" são mais complexas e exigentes que as de menor velocidade. Nesse aspecto, nos relógios "lentos" (os mais antigos de 1800 a/h) os relojoeiros não prestavam muita atenção em utilizar um óleo especial para os "lábios " da âncora e roda de escape. Em relógios de 28.800 a/h ou mais, contudo, se faz imprescindível o uso de um óleo específico para garantia do perfeito funcionamento de todo o sistema.

