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A História dos Relógios

Por Alan Costa (Perth, Western Australia 1998) - Traduzido/adaptado para o português por Marcos Arend (Porto Alegre, Brasil 2000)

Introdução

Este texto é um estudo das mudanças ocorridas com os relógios ao longo do tempo. O texto cobre principalmente as mudanças mecânicas, mas o leitor poderá também saber alguma coisa sobre estilos e mudanças na decoração dos relógios.

A intenção do texto é dar ao leitor uma introdução a várias características e melhorias do relógio mecânico. As datas foram incluídas sempre que possível. Estas informações podem ser valiosas ao vermos mecanismos e checarmos a sua autenticidade.

O problema da autenticidade é complicado pelo fato de que mecanismos antigos irem para o reparo e receberem peças contemporâneas pelo reparador.

Exclusão dos relógios de parede !

Este texto não cobre qualquer desenvolvimento sobre relógios de parede, pois este tema não afeta os relógios de bolso, que ao contrário dos relógios de parede possuem mecanismos necessários que os tornam portáteis/ móveis. Portanto, itens como escapamento por batida morta e métodos de compensação para pêndulos não são cobertos.

 

Do Início a 1600 – Os Primeiros Relógios

Antes de 1600 o principal nos mecanismos portáteis era a energia para funcionamento (corda). Tipicamente os mecanismos da época eram acionados por pesos, e portanto era impraticável o transporte pessoal.

Em 1524, 15 florins eram pagos por uma peça rudimentar do tamanho de uma maçã. Esta é a primeira data conhecida em que um relógio foi produzido. Outros relógios apareceram em 1548, e eram provavelmente de origem alemã ou francesa. Os relógios suíços e ingleses não apareceram antes de 1575.

Para os relojoeiros, este foi um período de grandes avanços e inovações.

Os primeiros movimentos foram feitos de aço, mas movimentos de latão apareceram logo após

. Os primeiros movimentos eram com escapamento tipo "VERGE", sem mola no balanço. Estes primeiros mecanismos eram notoriamente imprecisos. A maioria dos relógios tinham apenas o ponteiro das horas, e tinham que receber corda duas vezes por dia.

Isto ocorreu antes da introdução de máquinas para corte de engrenagens e a produção de aço não era comum como hoje. As variações na qualidade, e o fato de que algumas ligas de aço não haviam ainda sido descobertas, tornavam estes mecanismos rudimentares e com pouca confiabilidade.

Neste período, foi feito a primeira lâmina tipo mola para ser usada como corda. Isto foi crucial para a produção dos primeiros relógios, e foi utilizado pelos fabricantes para armazenar energia sem a necessidade do uso de pesos. Isto no entanto, abriu uma quantidade de problemas para os fabricantes. Tipicamente, uma mola espiral tem sua tensão (força) diferente, entre completamente bobinada e desbobinada. Então os fabricantes descobriram uma significante diferença na contagem de tempo entre arcos curtos [3] e longos arcos >[4] do balanço.

Com a intenção de reduzir os erros causados pela variação na força da corda, os fabricantes descobriram que podiam aumentar a precisão se usassem somente uma porção da corda que produziria então uma tensão constante no trem de engrenagens, com o prejuízo de uma baixa utilização da corda. Isto ajudou, mas na tentativa de conseguir melhor precisão outros métodos para conseguir torque constante foram tentados.

O "stackfreed" foi uma invenção alemã que tinha engrenagens (pinhão cônico) no eixo do tambor da corda [5], com uma outra mola que tentava compensar as variações de tensão da corda.

A solução francesa e inglesa foi a de usar um fuso (caracol). Com o fuso foi obtido uma boa regulação da tensão , sendo largamente utilizado até 1900. Os primeiros fusos paravam o relógio durante a corda.

Com a intenção de prevenir grandes oscilações da roda do balanço, finais de curso foram colocados como uma forma de regulador.

No final deste período, informações astronômicas e datas foram colocadas no mostrador dos relógios, mas sempre com a intenção de ornamentar, enquanto que a precisão continuava pobre.

 

1600-1675 - O Período da Decoração

Este período viu uma pequena inovação técnica, mas os relógios começaram a vir com mais peças de joalheiria [6]. As caixas eram douradas (banhos) ou feitas com material precioso , e eram trabalhadas, ornamentadas com jóias e esmaltados/vitrificados como decoração [7] portanto o relógio era visto como uma jóia era mais ou menos ostentado dependendo de como era usada, exposta (pendurada) ou não (relógio de bolso).

O formato das caixas era na forma de um tambor cilíndrico[8], com domos cobrindo a frente e a traseira A decoração incluia ornamentos coloridos(esmaltado/vitrificado) do tipo champlevé. Para proteger as delicadas caixas os fabricantes forneciam uma segunda caixa externa que era projetada para cobrir o relógio. Isto foi conhecido como relógio de caixa-par casada.

O vidro frontal foi usado em caixas ao redor de 1620, ele era usualmente uma alternativa a tampa metálica. O vidro era translúcido somente; portanto o dono continuava tendo que abrir a frente a fim de conseguir ver as horas.

Os donos tinham que abrir as tampas para dar corda e regular os relógios; portanto todas as partes das caixas precisavam ser atrativas. A principal forma de decoração interna era trabalhar a superfície do mecanismo (um minucioso trabalho decorativo com flores, pássaros...), a sustentação do balanço e pilares.

Nos relógios alemães, os arábicos ‘2’ tinham usualmente a forma como um ‘Z’. As marcações das horas tinham usualmente uma marcação externa de I-XII e uma interna de 13-24. Isto foi usado para adaptar a convenção usada na Itália, Boemia e sudoeste da Alemanha. O centro do visor era gravado com uma estrela ou rosa. Os ponteiros eram normalmente feitos de aço e cuidadosamente trabalhados.

Na Inglaterra, relógios sem ornamentações tornaram-se popular em torno de 1625, como resultado de um movimento puritano. Depois de 1660, formas exuberantes e ornamentadas eram usualmente confinadas para os relógios femininos.

 

1675 – 1700 – A Mola do Balanço

Enquanto que a mola em espiral era usado a primeira vez para corda ao redor de 1500, a mola espiral do balanço não foi usada até 1675. Este foi o primeiro passo para passar de um erro diário de frações de hora para frações de minuto [9] .

Existe alguma disputa para definir quem foi o primeiro a aplicar a mola espiral no balanço. Ambos Huygens (1629-1695) e Hook (1635-1703) estavam trabalhando com molas, mas Huygens trabalhou com a mola espiral enquanto que a Hook foi atribuído trabalhar com molas planas. Hook também trabalhou com Tompion, um mestre artesão de sua época. Tompion (1639-1713) também inventou um mecanismo deslizante que permitiu regular o comprimento efetivo da espiral (regulador), permitindo assim um fácil ajuste da cadência.

A principal preocupação quando a mola espiral do balanço foi introduzida era de obter isocronismo do balanço [10] ,mas isto foi rapidamente frustrado ao descobrir-se que a temperatura influenciava na cadência, por causa da variação de comprimento da espiral em função da temperatura.

Com o aumento da precisão foi observado também que a posição física do relógio tinha influência (efeito da gravidade). O relógio adiantava ou atrasava dependendo da posição [11].

Devido ao aumento da precisão, um ponteiro para os minutos e um mostrador com subdivisões em minutos foi adicionado. Era convencionado que as horas eram marcadas em romanos e os minutos em numerais arábicos. Uma quarta engrenagem também foi adicionada a fim de que fosse necessário dar corda somente uma vez por dia.

Em 1675, Charles II da Inglaterra introduziu as longas jaquetas. Isto tornou-se moda, e os relógios masculinos passaram a serem usados nos bolsos destas jaquetas ao contrário do estilo anterior, em que o relógio era usado como colar.

Depois de 1690 o uso de trem de engrenagens com três engrenagens não era muito comum, restrito somente a velhos artesãos. O trem com quatro engrenagens e o pinhão com seis dentes eram considerados universais.

Durante um curto período relojoeiros de baixa classe colocaram o balanço imediatamente abaixo do visor. O balanço era visível através do mostrador, com a intenção de fazer acreditar que a batida do relógio era atribuída a força de um pêndulo, que virou moda por um tempo.

 

1700-1775 – Progresso Estável

Em 1704, o relojoeiro inglês Facio de Duillier (1664-1753) e J. De baufre desenvolveram métodos para usar jóias como parte do relógio (rubis). Por volta de 1715, o uso de rubis continuava raro. Após 1725 aproximadamente era comum de se achar grandes diamantes como apoio para o eixo da roda do balanço (somente um na parte superior). Durante aproximadamente um século a arte da joalheiria permaneceu como exclusividade dos ingleses.

Após a virada do século, os fabricantes deram grande atenção a lubrificação. Em aproximadamente 1715 foi descoberto que pequenos sulcos ao redor de cada orifício de fixação dos eixos, poderiam por tensão superficial reter óleo. Isto não era encontrado usualmente em relógios antes de 1750.

Os relógios mais comuns deste período eram os de caixas par-casada em ouro ou prata, ambos eram planos. As iniciais dos fabricantes das caixas podiam ser encontradas na caixa externa e interna (deve ser a mesma em ambas as caixas). Em relógios de boa qualidade o número do relógio era repetido na caixa. As caixas de ouro deste período eram de 22K [12]. As caixas de prata eram raramente marcadas antes de 1740 [13] , no entanto nas de ouro era comum. Capas especias de proteção contra pó foram introduzidas sobre o mecanismo. O relógio inglês tinha normalmente um tamanho de 5cm de diâmetro por 2,5cm de espessura.

Os visores ou mostradores eram principalmente champlevé, mas foram lentamente substituídos por visores brancos (tipo porcelana) com números em blocos. No início os visores de porcelana eram opacos e rugosos, mas após 1725 eles eram brilhantes e polidos. Foi incluído marcação em numerais arábicos para horas. A maioria das marcações dos minutos tinham desaparecido ou diminuído. O nome do relojoeiro nunca apareceu no mostrador antes de 1750. Por volta de 1775, champlevé era raro. Nos relógios ingleses os ponteiros eram usualmente no estilo de inseto e poker, as vezes o ponteiro das horas possuía um formato de tulipa. Os ponteiros eram usualmente feitos de aço preto, e os relógios de qualidade possuíam ponteiros azuis.

Nos relógios franceses era comum o acesso a corda pelo mostrador, enquanto que os ingleses era pela traseira.

Após o desenvolvimento técnico a decoração tornou-se o método para a diferenciação. Em 1715, cenas de repouso [14] e adornamentos [15] das caixas externas eram moda. Após 1750 isto diminui e era raramente achado após 1775. Os balanços eram decorados e trabalhados [16] Até 1700 o escapamento verge foi pouco alterado. Em 1726 Graham refinou o escapamento tipo horizontal, ou escapamento cilíndrico [17] . Ele era mais preciso que o verge (por ter menos atrito), mas também mais frágil. Os primeiros escapamentos tipo cilíndricos eram feitos de aço, e as rodas de escape de latão, levando a um rápido desgaste, mas isto foi corrigido mais tarde. O escapamento cilíndrico foi usado então por aproximadamente 200 anos.

As primeiras molas espirais do balanço eram macias e não temperadas, sendo facilmente distorcidas. As primeiras tinham apenas 1,5 a 2 voltas, mas em torno de 1750 4 a 5 voltas eram mais usuais.

Em 1725 0 francês Le Roy (1686-1759) introduziu um ajuste por parafuso que permitiu o perfeito posicionamento da roda de escape (potence).

Em 1760 Lepine (1720-1814) acabou com a prática usual, fazendo movimento com várias pontes para fixar as engrenagens (movimento em ponte) e roda do balanço sem cobertura. Isto formou um modelo de manufatura para todos o relógios industrializados. Lepine também dispensou o fuso e acionou o trem com a corda diretamente. Esta alteração foi facilitada pelo uso do escapamento cilíndrico e espirais (molas) melhores.

Na Inglaterra, no entanto, o verge e o fuso continuaram a ser usados, e no final deste período era de conhecimento geral que os relógios ingleses eram os melhores.

Os relógios ingleses tinham ponteiro das horas e dos minutos,no mesmo período, no entanto os relógios de outros países tinham somente o ponteiro das horas.

Com a evolução outros escapamentos foram tentados. O escapamento duplex [18] foi inventado por Dutertre em 1720, e modificado para ser mais utilizável em 1750. A alavanca "Rack" foi inventada por Abbe de Hautefeuille em 1720 aproximadamente e melhorada por Litherland na Iglaterra em 1791.

Em torno de 1750-1760 Mudge projetou o escapamento alavanca do tipo com mola de liberação [19] . O principal problema dos primeiros escapamentos em alavanca era que a roda de escape tinha dentes pouco eficientes. Isto foi solucionado mais tarde pelo suíço, Leschot.

As primeiras formas da alavanca eram na posição tangencial em relação a roda de escape. Os relojoeiros ingleses preferiram o arranjo por ângulo direito, enquanto que os europeu preferiram a alavanca em linha.

O arranjo por ângulo direito inglês persistiu até o primeiro quarto do século XX.

 

1775-1830 - Os Primeiros Cronômetros

Em 1761 [21] John Harrison fez um relógio suficientemente preciso para ser usado para a medida de longitude durante uma viajem no mar [22]. Na verdade, o relógio de Harrison não contribuiu de forma significativa pois ele era muito complicado[23] . Isto não impediu que outros [24] produzissem cronometros marinhos práticos e cronômetros de bolso.

O básico nos projetos incluiam escapamento alavanca do tipo com mola de liberação [25] e o uso de fuso para equalizar a força da corda. Todos os projetos tinham alguma forma de compensação da temperatura [27] .

Em 1800, o cronometro de bolso de precisão estava pronto.

Com os novos e mais precisos escapamentos, outras mudanças ocorreram nos relógios. Um ponteiro de segundos [28] foi adicionado aos relógios. Os "rubis" foram mais extensivamente usados, alguns com grandes pedras colocadas em partes visíveis [29]. Parte do mecanismo começou a ser colocado abaixo do visor. As partes internas do relógio foram alteradas, facilitando o serviço e reparo.

Os pilares e as tampas do balanço tinham pouca decoração. A regulação de Tompion (mecanismo que corria sobre a espiral a fim de aumentar ou diminuir o seu comprimento efetivo) foi dispensada com o uso de paletas que eram montadas sobre o balanço, deslizando um grampo sobre a espiral, alterando também o seu comprimento efetivo.

Os balanços bimetálicos continuavam raros, e a decoração era mínima. No entanto, o relógio era finalmente preciso, sendo então não considerado mais apenas uma jóia.

Os relógios Verge continuaram sendo usados neste período, e muitas melhorias foram feitas. Pontes (parte que fixa as engrenagens) foram adicionadas para facilitar a montagem. O regulador foi simplificado. O diâmetro do relógio aumentou, no entanto a espessura diminuiu.

As caixas em pares casados eram raras em 1830, exceto em relógios Verge.

Os mostradores eram usualmente de porcelana branca. Era usado algarismos arábicos ou romanos, mas os romanos eram mais comuns. Os mostradores para os ponteiros de segundos [31] eram planos e os ponteiros simples. Os materiais usados eram aço "azul" (tonalidade obtida pela oxidação do aço a uma alta temperatura) ou ouro. Antes de 1860 a marcação para os mostradores auxiliares não era usual.

O rolete de mesa para o escapamento alavanca ("table roller") foi usado pela primeira vez em 1823, se estabelecendo.

Na europa, o tambor de corda acionando o trem diretamente substituiu o fuso. Alguns relógios tinham o escapamento duplex chinês onde o ponteiro dos segundos se movia uma vez por segundo.

Enquanto escapamentos como virgule e Pouzait ganhavam alguns adeptos o escapamento alavanca começou a ocupar todos os mecanismos[33] .

O grande Breguet começou sua própria produção em 1780. Na França em 1787, ele produziu relógios com escapamento alavanca, mas não é sabido se Julien Le Roy precedeu o desenvolvimento do escapamento alavanca de Mudge na Inglaterra. Breguet produziu escapamento com alavancas retas com um corte para compensação térmica na roda de balanço. Outras inovações de Breguet incluem o uso de rubi cilindrico no escapamento, a sobre-bobina (overcoil)[34] na mola do balanço, o ‘paraquedas‘ para suspensão do eixo do balanço [35] , um mecanismo de corda automático, ou ‘perpetuelle‘, a ‘Chave Breguet‘(chave que protegia o mecanismo contra o giro em sentido errado durante a corda) e o turbilhão.

Uma nota histórica, Breguet morreu em 1823.

 

1830-1900 – A Era das Complicações

Em 1850, na Inglaterra, o relógio com escapamento em alavanca [37] era o mais comum.

Os relógios foram tornando-se mais finos pelo uso de pontes do tipo 3/4 ou pontes de 1/2 movimento. Nos movimentos 3/4, o balanço, alavanca e a roda de escape eram colocadas separadas. No movimento 1/2, a quarta roda também era separada.

Dando Corda

Em 1814 Massey usou pela primeira vez a coroa para dar corda. Vários sistemas para dar corda foram feitos na primeira e segunda década, mas o primeiro homem a utilizar um sistema de dar corda e ajustar as horas pela coroa foi Audemars em 1838. Inicialmente a mudança entre dar corda e ajustar as horas era feito por uma alavanva externa, mas eventualmente isto foi dispensado.

Com o uso dos sistemas sem chave (ajuste das horas e corda pela coroa), as caixas não precisavam mais serem abertas a todo momento. As caixas passaram a ter tampas com abertura mais difícil.

A tampa contra pó foi modificada e colocada logo abaixo da tampa traseira, passando a possuir dobradiça como a tampa traseira.

A Inglaterra continuava a usar fusos neste estágio, e os sistemas de corda e ajuste das horas sem chave (pela coroa) eram projetados somente para sistemas com corda acionando direto o trem de engrenagens(sem fuso). Isto não mudou antes de 1890, quando os ingleses trocaram o fuso pelo sistema direto da corda acionando o trem, mas eles continuaram a usar mecanismos necessitando de chave para dar corda.

Os relógios continuavam a usar pontes que cobriam todo o movimento, e extravagantes rubis (Liverpool) eram usado em substituição a pequenos rubis.

Como a era Victoriana estava em progresso, as caixas e mostradores tornaram-se pesado aos olhos e os ponteiros tornaram-se finos.

Com a introdução do ponteiro dos segundos, alguns fabricantes usaram um sistema em que o ponteiro podia ser parado como um cronômetro. No entanto, nestes relógios iniciais , parando o ponteiro dos segundos também parava todo o relógio. O mostrador era dividido para mostrar 5 partes de um segundo e o número de batidas era aumentado para incremento da precisão.

O primeiro cronômetro verdadeiro [38] , foi projetado em 1844 por Nicole. E até 1862 o sistema contemporâneo com três botões não era usado [39].

Chegando ao fim deste período, os relojoeiros tinham inventado mecanismos para todo o tipo de grande complicação como repetidores, fases da lua, musical, multi-mostrador, dia, data, mês e alarme. Uma grande parte destes relógios complicados eram suíços com escapamento alvanca ou cilíndrico. Um refinamento inglês foi o karrusel [40] , patenteado em 1892 por Bonniksen de Coventry.

Deve ser lembrado que até 1840 os relógios recebiam acabamento manual, e as suas partes não eram intercambiáveis. Os suíços no entanto acreditavam que existia um mercado para o barato, máquinas faziam relógios com partes intercambiáveis.

O projetista da primeira máquina para produção foi Leschot . A principal mudança era que os furos eram feitos usando-se pantógrafos, portanto obtinha-se repetibilidade na posição. As partes tornaram-se então intercambiáveis. No entanto foi Frederic-Japy (1749-1812), que projetou máquinas para produção em massa.

Os americanos foram os primeiros a começar produção em volume, provavelmente ao redor de 1850. Companhias envolvidas com a produção de relógios tinham variadas fortunas, mas as principais foram Waltham (1850-1950), Elgin (1864- ) e Hamilton (1892- ). Uma concepção diferente foi obtida pela Waterbury Watch Company, fundada em 1878. Eles fizeram movimentos baratos com somente 54 partes. Tinham a corda bobinada atrás do relógio e todo o movimento girava uma vez por hora. Isto tinha o efeito como um tipo de relógio turbilhão , mas a Companhia falhou passando uma imagem de produtos muito baratos.

Os suíços sempre mantiveram-se de olho no mercado americano e iniciaram um volume de produção de relógios com escapamento cilíndrico e alavanca ao redor de 1880. No final do século, Roskopf introduziu um escapamento alavanca por pinos, e este tipo de relógio foi usado por muitos anos.

Mercados como a Turquia e particularmente a China, importavam relógios da Inglaterra e mais tarde da Suiça. Os movimentos chineses eram especialmente ornamentados, com cada parte intrinsecamente gravada. As partes de aço eram azuis ou polidas. Os mostradores normalmente tinham ponteiros de segundo no centro que se movimentava uma vez por segundo.

 

1900 em diante – Metalurgia para Salvação?

As principais mudanças neste período não vieram dos mecanismos mas principalmente de avanços na metalurgia. Com a introdução da mola no balanço nos primeiros relógios Verge os relojoeiros descobriram a não-isocronia do balanço, em função da temperatura e da posição.

Para resolver os problemas do balanço, foi feito o uso de propriedades bimetálicas para auto compensação do balanço (corte da roda e outras compensações. No entanto, estas compensações eram efetivas somente para altas e baixas temperaturas e não para temperaturas médias.

Em 1900, Guillaume produziu uma liga que quando usado com o latão no corte, virtualmente compensava o balanço eliminando os erros para temperaturas médias [42] . Encorajado ele fez experimentos e em 1919 foi possível a confecção de balanço mono-metálico de Invar controlado por molas de balanço Elinvar.

Outra grande mudança deste período foi a mudança de como os relógios eram usados, de relógios de bolso para relógios de pulso . A relação entre relógios de pulso e de bolso por volta de 1930 era de aproximadamente 50:1. Nos projetos iniciais ou em conversões, um simples arame foi soldado as laterais de pequenos relógios de bolso a fim de fixar as pulseiras. As tampas tipo relógio de bolso continuavam a ser usadas. Os mostradores eram de porcelana ou metal sem decoração mas os números algumas vezes eram luminosos. Os vidros dos relógios começaram a serem feitos de plástico transparente que era um material menos frágil, mas que amarelava e ficava riscado com o tempo.

O relógio de bolso continuou até o final da segunda guerra (1945) mas após isto a sua produção era mínima [44] .

A produção inglesa foi aos poucos acabando e efetivamente terminou em 1930. No entanto após a guerra, a produção com novas ferramentas começou novamente. As empresas suiças capturaram uma larga percentagem do consumo munmostrador.

No novo regime de fabricação dois escapamentos venceram. A alavanca usada em relógios com muito ou poucos rubis e o escapamento alavanca com pinos usado em relógios de baixo custo. O escapamento cilíndrico, após duzentos anos de vida, era finalmente descartado.

Em 1845 relógios de pulso de qualidade começaram a ter complicações que antes só eram disponíveis em relógios de bolso. A principal complicação era o método Perrelet de corda automática [45] . O cronógrafo tornou-se disponível, por vezes com data, alarme, fases da lua etc. Os relógios também eram mais robustos, com mecanismos a prova d'água, de choque e habilitados a funcionar em pressões extremas, vácuo e gravidade.

 

Bibliografia

The Watch Collectors Handbook, M. Cutmore, David and Charles, London, 1976.

Investing in Clocks and Watches, P.W. Cumhaill, Barrie & Rockliff, London, 1967.

Brittens Old Clocks and Watches and their makers, Britten, FJ, Eyre Methuen, London, 1973.

Britten’s ‘Watch and Clock Makers’ Handbook, D. Van Norstrand Company, Inc 1955.

Europa Star Magazine, Gallery, Mechanical Watches. Pierre Maillard, Pascal Brandt and Maria Finders.

 


NOTAS

[1] Devemos notar que falsificações não são restritas aos tempos modernos. Abraham-Louis Breguet teve seus relógios falsificados durante toda sua vida (como o Rolex hoje em dia) e ele incluiu uma assinatura secreta em seus mostradores para mostrar a autenticidade. Tompion, Graham e Arnold também tomaram cuidados contra as falsificações no seu tempo.

[2]A aparente razão para troca para latão foi quanto as propriedades do metal. O latão é maleável de fácil trabalho, resistente a corrosão e de fricção reduzida. No entanto, a real razão foi a ação de classes que envolveram-se na manufatura de relógios. Na primeira instância, eram duas as classes habilitadas a fazer relógios, os ferreiros e os chaveiros. Os ferreiros obviamente trabalhavam com aço e os chaveiros com o latão. No entanto, quando os relógios tornaram-se menores e menores, foram os chaveiros os mais habilitados devido ao metal, Portanto a maioria dos movimentos eram de latão e não de aço.

[3] A corda praticamente desenrolada.

[4] A corda totalmente enrolada.

[5] O stackfreed não foi adotado por outro país e portanto é encontrado somente em relógios alemães.

[6] No fim deste período a corrente usada no fuso foi substituída por cabo.

[7] As caixas deste período eram usualmente feitas de metal espesso, que os artesãos podiam mostrar as suas habilidades em finas gravações. Se suspeita que as caixas dos relógios deste período eram feitas de metal derretido de relógios danificados ou aposentados por causa da impresisão.

[8] Na forma de um tambor.

[9] Toda esta conversa sobre imprecisão não indica que não se sabia a hora certa. Os astrônomos eram habilitados a determinar como precisão as horas vendo a posição das estrelas. Os relógios de parede possuíam uma precisão usualmente melhor que os relógios de bolso, pois usavam o pêndulo para regulação.

[10] O tempo de oscilação ou período poderia permanecer constante se a potência da corda se mantivesse, ou se o movimento do arco do balanço não variar.

[11] Estes mesmos problemas continuam a serem aplicados a relógios mecânicos hoje em dia. Algumas invenções, como o turbilhão, forma usados para minimizar os erros, mas eles não podem ser eliminados.

[12] Amalgama de cobre e zinco com a intenção de imitar o ouro.

[13] A prata padrão inglesa (sterling) foi abandonada entre 1696 e 1720.

[14] Trabalho de entalhamento e molduração.

[15] Usava-se caixa estilo tartaruga com metais preciosos.

[16] Por causa das grandes rodas do balanço.

[17] Tompion, em cooperação com Edward Booth e William Houghton, inventarão o escapamento cilíndrico. Sendo patenteado em 1695.

[18] Este escapamento era usado principalmente na Inglaterra.

[19]O primeiro relógio com escapamento em alavanca foi feito entre 1759-1760 por Thomas Mudge, para George III e foi dado para ele pela rainha Charlotte. Ele precisava de corda somente uma vez por ano.

[21] No livro de Britten esta data aparece como 1759.

[22] A competição começou em 1714, era para determinar a latitude durante uma jornada de navio entre as ilhas britânicas e o oeste da Índia. A recompensa oferecida era de E£10,000 para uma precisão dentro de um grau, E£15,000 para uma precisão menor que 40’ e E£20,000 para uma precisão dentro de 30’. A recompensa foi oferecida pelo comitê de longitude na Inglaterra. A viajem poderia levar aproximadamente 6 semanas e o cronometro não poderia adiantar ou atrasar mais de 3 segundos por dia.

[23] Somente 3 estilos eram usados , Harrison # 3 e # 4 e Kendall # 1.

[24] Como Pierre Le Roy, em 1766. O cronometro de Le Roy tinha escapamento com mola de liberação e balanço compensado, no entanto Harrison não tinha.

[25] Esta tecnologia fazia com que houvesse fricção no balanço somente durante o impulso das paletas.

[27] A forma mais comum de compensação contra variações de temperatura foi o balanço bimetálico.

[28] Normalmente era colocado um mostrador auxiliar acima da marca das 6 horas.

[29] Isto as vezes era chamado de rubis de Liverpool , indicando a importância da indústria de relógios de Lancashire no seu tempo.

[31] Os ponteiros de segundos não eram universais.

[32] Quatro cores de ouro eram obtidas pela mistura de outras substâncias o vermelho, amarelo, verde e branco. O mostrador podia ter uma cor e o outras cores podiam ser adicionadas por soldagem em sua superfície.

[33]No entanto na Suiça o escapamento cilíndrico foi utilizado na produção por 200 anos.

[34] A sobre-bobina (overcoil), foi projetada para obter o isocronismo da mola espiral do balanço, no entanto tal espiral não possibilitava a regulação do balanço

[35]Consistia de duas molas de aço na forma de braços colocadas nas sobre pedras do balanço. Estes braços permitiam uma suficiente deflexão do eixo sem quebrar suas pontas.

[36] Em aproximadamente 1930 os relógios de pulso automáticos passaram a ter mecanismos de corda automática adequados.

[37] Arranjo em ângulo direito.

[38] Um relógio que podia medir um evento sem parar o trem de engrenagens.

[39] Começo, fim e reset.

[40] O karrusel era uma simples versão do Turbilhão de Breguet, que possuia o intuito de compensar os erros de posição.

[41] Ele também foi o responsável pela introdução dos escapamentos alavanca suíços e o projetista de máquinas padrões para fazer escapamentos em alavanca.

[42]Este balanço foi chamado de balanço Guillaume.

[43] O principal motivo para a troca foi a primeira guerra, onde era mais conveniente os relógios de pulso do que os de bolso.

[44]Uma das principais razões que levou o uso em massa dos relógios de bolso em 1675 fez com que acabasse nesta época. O uso de jaquetas estava saindo de moda.

[45]Um problema nos relógios automáticos de pulso era o excesso de corda, enquanto que o mesmo não era verdadeiro para os relógios de bolso.

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